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Excesso de Conforto

  • Foto do escritor: Nexus Escola de Movimento
    Nexus Escola de Movimento
  • 12 de fev.
  • 2 min de leitura

Inegavelmente, nós somos uma das máquinas de movimento mais eficientes da natureza. Uma construção que levou centenas de milhares de anos para chegar até aqui. Nossos ancestrais não "treinavam"; eles sobreviviam. Correr, escalar, carregar e agachar eram necessidades biológicas para se manter vivo num ambiente muitas vezes de escassez e perigo.


Nosso corpo que foi moldado pelo, e para, o movimento constante, encontra-se hoje num mundo de cadeiras ergonômicas, poltronas confortáveis e outras facilidades como elevadores e delivery, que nos fazem evitar o movimento em troca de tempo.


Nem mesmo nossos locais de treino nos tiram desse lugar: sentar no aparelho, movimentar-se de maneira isolada, linear e guiada. Sem nenhuma imprevisibilidade.


Na maior parte do nosso dia não nutrimos nosso corpo com o que ele precisa para se desenvolver da maneira como ele deveria.


A coluna, por exemplo, desenvolveu-se para sustentar o corpo ereto/em pé, para torcer, para dobrar, e hoje passa mais da metade do dia parada, sem fazer nenhuma de suas funções, muitas vezes nem mesmo sustentar o corpo em pé.


Podemos trazer esse pensamento em absolutamente todos nossos mecanismos de regulação (sono, fome, sede, estresse etc.) e estruturas (quadris, pés, ossos, músculos, pele etc.) que chegaremos na mesma conclusão: Vivemos numa incompatibilidade e pagaremos um preço alto por isso. Se tirarmos do nosso sistema a maior das ferramentas que fazem dele o que é, o que nos sobra? Incompatibilidades. Dores. Doenças.


Pela escassez do mundo que nos desenvolvemos ao longo da história, nos tornamos mestres em economizar energia. Nosso cérebro buscará sempre essa alternativa num primeiro plano: ficar em casa vendo filme parecerá mais atrativo que ir caminhar, sentar na cadeira gamer top plus advanced parecerá mais gostoso que sentar no banco de madeira sem encosto.


Mas o desconforto é o que gera movimento, e o conforto/prazer de curto prazo quase sempre não contribui para a saúde de longo prazo.


Não estou dizendo que precisamos voltar a viver como nossos ancestrais, mas que podemos entender esse contexto mais amplo e fazermos escolhas conscientes que nos trarão algum benefício mesmo numa cultura desfavorável à nossa saúde.


Lembre-se que tudo é informação e seu corpo está aprendendo o tempo todo. Por isso, coloque-se em desconforto sempre que possível: Vá de escada, ande descalço, passe um tempo/brinque no chão, use a mão não dominante, tenha tédio, caminhe até o restaurante, carregue suas compras, fique mais tempo em pé, treine mais, ande em chãos desnivelados, aumente o intervalo das suas refeições, acorde mais cedo, pare de rolar tela de celular antes de dormir, fique em silêncio etc.

 
 

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